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Geral Mundo

Portugal teve um dos agostos mais quentes da história

Mês de agosto terminou com temperaturas médias excepcionalmente altas pela onda de calor que provocou os incêndios

03/09/2025 às 06:25 leitura em 3 min
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Agosto de 2025 em Portugal Continental foi classificado como muito quente e muito seco, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). O boletim climatológico preliminar mostrou desvios significativos em relação à normal climatológica 1991-2020, tanto na temperatura quanto na precipitação, com uma histórica onda de calor que favoreceu graves incêndios.

Agosto quente trouxe graves incêndios em Portugal | PATRICIA DE MELO MOREIRA/AFP/METSUL

A temperatura média do ar atingiu 24,4°C, valor 1,48°C acima do normal, tornando o mês o 5º agosto mais quente desde 1931. Apenas 2003 e 2018 apresentaram valores médios mais elevados, em registros históricos de grande impacto climático.

A temperatura máxima média alcançou 31,82°C, sendo o 4º valor mais alto desde 1931 e 1,93°C acima da normal climatológica. O maior valor absoluto foi de 45°C em Alvalade, no dia 12, representando um extremo térmico significativo.

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Já a temperatura mínima média chegou a 16,9°C, o 3º valor mais elevado desde 2000, com uma anomalia de +1,03°C em relação ao esperado. Esse dado mostra noites mais quentes e menor alívio térmico durante a madrugada.

O boletim ainda destaca a onda de calor que se estendeu de 29 de julho a 17 de agosto, considerada a mais longa já registada no interior Norte e Centro de Portugal para o período de julho/agosto.

Na estação da Guarda, a duração chegou a 16 dias consecutivos, enquanto cidades como Bragança, Miranda do Douro, Carrazeda de Ansiães, Vila Real, Pinhão e Viseu registaram 15 dias seguidos de calor extremo, confirmando a intensidade do fenômeno.

O IPMA classifica essa onda como a de maior magnitude já registrada nas regiões do interior Norte e Centro para este período do ano. O prolongamento e a intensidade acentuaram impactos na saúde, agricultura e recursos hídricos.

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No campo da precipitação, o cenário foi igualmente preocupante. O total médio mensal foi de apenas 2,7 mm, representando 20% do valor normal. Assim, agosto de 2025 foi o 5º mais seco desde 2000, segundo o levantamento oficial.

Apesar da escassez, houve registros pontuais de chuva. O maior acumulado em 24 horas ocorreu em Elvas, com 16,5 mm no dia 12. Ainda assim, os volumes não foram suficientes para aliviar o déficit hídrico nacional.

Outros extremos também marcaram o mês. O menor valor de temperatura mínima foi de 5°C em Lamas de Mouro, no dia 27, mostrando contrastes entre noites frias em altitude e calor abrasador em outras regiões.

O vento também apresentou episódios relevantes. A rajada mais intensa atingiu 92,2 km/h em Pampilhosa da Serra, no dia 12, reforçando um cenário de tempo instável e potencialmente perigoso em áreas suscetíveis a incêndios florestais.

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Os dados de agosto de 2025 reforçam tendências recentes de eventos meteorológicos extremos em Portugal. A conjugação de calor persistente, seca intensa e ventos fortes expõe vulnerabilidades e coloca desafios crescentes para adaptação climática e gestão de riscos, especialmente nos meses de verão que possuem alto risco de incêndios.

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Sobre o Autor

Luiz F. Nachtigall

Luiz F. Nachtigall

Luiz Fernando Nachtigall é autor de MetSul.com e meteorologista desde 1985 pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Especializado em Meteorologia Aeronáutica pelo Centro Técnico Aeroespacial (CTA), atuou no Ipmet da Unesp e na previsão de tempo nos aeroportos de Belém do Pará, Galeão e Porto Alegre.