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Clima Geral

Peru emite primeiro aviso de risco de formação de um El Niño Costeiro

Escritório do governo peruano dedicado aos fenômenos no Pacífico emitiu primeiro aviso de risco de El Niño Costeiro

28/02/2025 às 08:54 leitura em 6 min
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O ENFEN, órgão de Meteorologia do governo do Peru dedicado ao estudo e previsão dos fenômenos El Niño e La Niña, confirmando o que a MetSul Meteorologia já projetava, emitiu nesta sexta-feira o primeiro aviso sobre a possibilidade de instalação de um episódio de El Niño Costeiro pelo aquecimento da águas nos litorais do Peru e Equador.

NASA

Em comunicado extraordinário publicado no começo da manhã desta sexta, o ENFEN alterou o status de “não ativo para El Niño ou La Niña Costeiro” para “Vigilância de El Niño Costeiro” na chamada região Niño 1+2 do Pacífico, que compreende os litorais peruano e equatoriano.

O comunicado informa que seria um “evento fraco e de curta duração” enquanto na área do Pacífico Central (região Niño 3.4) se manteriam as condições de neutralidade (sem El Niño ou La Niña na forma clássica ou canônica).

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O texto acrescenta que em fevereiro o aquecimento da chamada região Niño 1+2 superou o normal com águas quentes ingressando no Norte do mar peruano e ainda uma Onda Kelvin que elevou o nível do mar, causando chuvas intensas nas regiões de Tumbes e Piura.

Conforme o comunicado, a tendência é de precipitações acima da média em março pelo aquecimento da costa nas áreas de Tumbes e Piura assim como nas regiões amazônica e andina do Peru.

O comunicado extraordinário do ENFEN observa que há 48% de probabilidade que estas condições prossigam em abril, dependendo de fatores como o Pacífico Oeste e o Anticiclone do Pacífico Sul. Observa que se projeta a chegada de uma nova Onda Kelvin quente em abril que poderia reforçar o El Niño Costeiro.

ENFEN

O Pacífico Equatorial Leste nos litorais do Peru e do Equador passou nas últimas duas a três semanas por um aquecimento acelerado das águas superficiais, soando o sinal da possibilidade de instalação de um episódio do chamado El Niño Costeiro.

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Na chamada região Niño 1+2, que mede a temperatura do mar na costa do Peru e do Equador, mas não é usada para designar se há Niña ou Niño em sua forma clássica, a anomalia informada no boletim da agência de clima dos Estados Unidos (NOAA) foi de +1,0ºC.

O que é El Niño Costeiro

El Niño Costeiro é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico ao longo da costa Oeste da América do Sul, especialmente no Peru e no Equador.

El Niño Costeiro se distingue do chamado El Niño clássico ou canônico por sua ocorrência restrita às áreas litorâneas da região mencionada, sem necessariamente impactar o restante do oceano de maneira significativa.

Oficialmente, pela NOAA, a agência de tempo e clima do governo dos Estados Unidos, o Pacífico Central segue sob condições de La Niña, embora para a MetSul Meteorologia seja muito difícil se falar em La Niña com aquecimento no Pacífico Leste e duas semanas seguidas de anomalias de temperatura da superfície do mar em patamar neutro no Pacífico Central.

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O El Niño Costeiro influencia diretamente as condições meteorológicas da costa pacífica da América do Sul, provocando mudanças no regime de chuvas e temperaturas. O fenômeno pode levar ao aumento da umidade e precipitações intensas em algumas áreas, resultando em enchentes, deslizamentos de terra e danos à infraestrutura.

O El Niño Costeiro ocorre quando ventos fracos reduzem a ressurgência de águas frias provenientes das profundezas do oceano, permitindo que as águas quentes se acumulem na superfície. Esse aquecimento interfere nos padrões normais da circulação atmosférica, alterando o clima local e potencialmente contribuindo para eventos climáticos extremos.

Os impactos desse fenômeno podem ser amplos e prejudiciais. No Peru, por exemplo, o El Niño Costeiro tem sido historicamente associado a períodos de chuvas torrenciais e enchentes devastadoras, que afetam cidades costeiras e comunidades agrícolas. No Equador, a ocorrência do fenômeno também pode resultar em inundações e outros desastres naturais. Além disso, as mudanças nas temperaturas do mar podem afetar a biodiversidade marinha, prejudicando a pesca, uma atividade econômica essencial para essas nações.

El Niño Costeiro impacta o clima no Brasil

O aquecimento do Pacífico Leste é ainda incipiente e por ora não se pode afirmar que um episódio de El Niño Costeiro está em andamento, mas se confirmando um episódio haverá repercussões no clima do Brasil.

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O El Niño Costeiro pode impactar indiretamente o Brasil. Quando há um episódio do fenômeno nos litorais do Peru e do Equador, o Norte e o Nordeste do Brasil podem ter redução das chuvas, afetando estados como Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. No Sul e Sudeste, há possibilidade de aumento da chuva, favorecendo em episódios mais extremos até enchentes e deslizamentos.

O aquecimento das águas do Pacífico Leste também pode contribuir para temperaturas mais elevadas no Brasil, intensificando ondas de calor no Centro-Oeste e Sudeste.

Embora o El Niño Costeiro não tenha um impacto direto tão forte no Brasil como o El Niño global e canônico, ele pode influenciar o clima de maneira indireta, dependendo de outros fatores atmosféricos e oceânicos. Por isso, seus efeitos são mais complexos de se antecipar que na forma tradicional do fenômeno El Niño.

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