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Clima Geral

Pacífico deve ficar sem El Niño ou La Niña ainda por meses

Mais recentes dados e estimativas de probabilidade pela NOAA apontam a continuidade das condições neutras sem El Niño e La Niña

11/07/2025 às 09:27 leitura em 4 min
Estael Sias
Estael Sias Meteorologista
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As condições de neutralidade (ausência de El Niño e La Niña) que se estabeleceram no final do verão com o fim de um curto e fraco episódio de La Niña persistem neste inverno e com tendência de continuidade.

NOAA

Conforme os mais recentes boletins da NOAA, tanto as regiões do Pacífico Equatorial Centro-Leste (região Niño 3.4) como Leste (Niño 1+2) apresentavam nos últimos dias e semanas anomalias de temperatura da superfície do mar em torno de 0ºC

Atualmente, a anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Centro-Leste – região do oceano usada para designar se há El Niño ou La Niña conhecida como Niño 3.4 – está em 0,0ºC, ou seja, na faixa de neutralidade (-0,4ºC a 0,4ºC).

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Já perto da costa da América do Sul, as águas superficiais no Pacífico Equatorial junto aos litorais do Peru e do Equador, região que é denominada de Niño 1+2, estão mais quentes do que a média com anomalia de 0,4ºC, mas dentro de uma neutralidade.

A última vez em que o Oceano Pacifico Equatorial não apresentou uma anomalia semanal em neutralidade foi na primeira semana de fevereiro, no final do episódio de La Niña de 2024-2025.

Assim, o Pacífico completa já vários meses com as anomalias de temperatura do mar em sua região principal de monitoramento em condições neutras, logo sem o El Niño e a La Niña.

Isso contraria a tendência dos últimos anos em que houve uma rápida transição de El Niño para La Niña e vice-versa, ao final de cada episódio. Terminado o episódio de La Niña no verão deste ano, estabeleceu-se um período de neutralidade que tende a ser de mais longa duração.

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Neutralidade não é normalidade no clima

Neutralidade é frequentemente confundida com normalidade, mesmo por profissionais da Meteorologia, mas pode trazer tanto extremos de El Niño como de La Niña. Assim, tanto na precipitação como na temperatura os sinais podem ser mistos no decorrer da estação.

Maio foi um exemplo disso. Volumes excessivos de chuva trouxera quase 500 mm de chuva no Noroeste da província de Buenos Aires com graves inundações. No Rio Grande do Sul, muitas cidades terminaram maio com chuva entre 300 mm e 500 mm, o que trouxe cheias de rios e enchentes, sobretudo no Oeste.

Os extremos se repetiram em junho. Chuva no mês de até 500 mm em algumas regiões trouxeram enchentes. O Rio Jacuí em Cachoeira do Sul igualou a cota de enchente de 1941 (ano de Super El Niño). Além disso, junho foi muito frio e algumas cidades tiveram o junho mais frio desde 1996.

Neutro, La Niña ou El Niño nos próximos meses

A tendência, de acordo com a análise da MetSul a partir de modelos de clima e outras ferramentas, indica para os próximos três meses que as condições permaneçam neutras, com anomalias em torno de zero, ora com pequenos valores positivos e ora negativos.

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NWS

Conforme a mais recente atualização mensal da NOAA, publicada ontem, neutralidade é a condição mais provável até o final do inverno do Hemisfério Sul de 2025 (56% de chance entre agosto e outubro). Depois disso, aumentam as chances de condições de La Niña durante a primavera e o verão de 2025-2026, mas com probabilidade comparável às chances de uma condição neutra.

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Sobre o Autor

Estael Sias

Estael Sias

Meteorologista

Estael Sias, MSc., é autora de MetSul.com e meteorologista formada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Mestre em Meteorologia pela Universidade de São Paulo (USP). Sócia-diretora da MetSul Meteorologia com passagem pelo Grupo RBS, Canal Rural e Defesa Civil de São Paulo.