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Geral

Outubro tem início com crescentes sinais de La Niña no Pacífico

Mês de outubro começa com o Pacífico Equatorial mais frio do que a média em crescentes sinais do fenômeno La Niña

01/10/2025 às 07:10 leitura em 5 min
Estael Sias
Estael Sias Meteorologista
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O Oceano Pacífico Equatorial registrou na sua faixa Centro-Leste anomalias semanais de temperatura do mar típicas de La Niña pela segunda semana, embora não consecutiva, em padrão de resfriamento das águas superficiais que mostram crescentes sinais de evolução para o fenômeno.

NOAA

Conforme o mais recente boletim da NOAA, que foi divulgado na segunda-feira, a anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Centro-Leste – região do oceano usada oficialmente para designar se há El Niño ou La Niña conhecida como Niño 3.4 – está em -0,5ºC, ou seja, no limite mínimo de La Niña.

Na semana anterior, a anomalia era de -0,4ºC. O valor semanal de -0,5ºC foi a anomalia de temperatura do mar mais negativa nesta parte do Pacífico desde 5 de fevereiro e iguala valor observado na semana retrasada.

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Com isso, duas semanas em setembro, apesar de não seguidas, tiveram o Pacífico com anomalias em patamar de La Niña, mesmo que borderline ou limite com a categoria de neutralidade.

Já perto da costa da América do Sul, as águas superficiais no Pacífico Equatorial junto aos litorais do Peru e do Equador, região que é denominada de Niño 1+2, estão com anomalia de -0,1ºC, ou neutralidade.

Sob este cenário, mesmo com o Pacífico Equatorial em resfriamento, oficialmente a fase ainda é de neutralidade, ou seja, sem La Niña. A neutralidade teve início em fevereiro deste ano e persiste desde então.

Possível evolução para La Niña nas próximas semanas

Não há um evento de La Niña em andamento ainda, é importante esclarecer. Uma semana ou duas apenas com as anomalias do mar em patamar do fenômeno, como na semana anterior, não permitem dizer que já está instalado no Oceano Pacífico um episódio de La Niña.

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São necessárias várias semanas seguidas em que o Pacífico Equatorial Centro-Leste (região Niño 3.4) apresente condições de La Niña com anomalias negativas de temperatura da superfície do mar de ao menos -0,5ºC.

Assim, considerado que a NOAA não declara condições de La Niña sem ao menos quatro a seis semanas seguidas com anomalias de temperatura do mar consistentes com uma fase fria, entendemos que a agência não deve declarar, se declarar, condições de Niña antes da metade de outubro ou quiçá novembro.

Uma vez que os sinais de La Niña ainda são incipientes, a atmosfera ainda não vai se comportar nas próximas semanas como se o fenômeno já estivesse instalado, o que significa que muitas áreas do Sul do Brasil terão chuva perto e localmente acima da média.

IRI

De acordo com a última previsão da Universidade de Columbia, no trimestre de outubro a dezembro há 60% de probabilidade de La Niña; 39% de neutralidade e 1% de El Niño. Já no trimestre de novembro a janeiro, 59% de La Niña, 40% de fase neutra e 1% de El Niño. No trimestre de verão, de dezembro a fevereiro, 50% de La Niña , 46% de neutralidade e 4% de El Niño.

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O que é o fenômeno La Niña e como impacta o Brasil

O fenômeno La Niña tem impactos relevantes no sistema climático global, sendo caracterizado por temperaturas abaixo do normal na superfície do Oceano Pacífico equatorial central e oriental. Essa condição contrasta com o El Niño, sua contraparte quente, e faz parte do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENOS), que influencia os padrões climáticos em todo o mundo.

Durante um evento La Niña, as águas do oceano Pacífico equatorial central e oriental ficam mais frias do que o normal. Isso tem efeitos significativos nos padrões de vento, precipitação e temperatura ao redor do globo. A última vez em que a fase fria esteve presente foi entre 2020 e 2023 com um longo evento do fenômeno que trouxe sucessivas estiagens no Sul do Brasil e uma crise hídrica no Uruguai, Argentina e Paraguai.

No Brasil, os efeitos variam de acordo com a região. O Sul do país geralmente experimenta menos chuva enquanto o Norte e o Nordeste registram um aumento das precipitações. Cresce o risco de estiagem no Sul do Brasil e no Mato Grosso do Sul, embora mesmo com a La Niña possam ocorrer eventos de chuva excessiva a extrema com enchentes e inundações.

Infográfico de La Niña e El Niño

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Além da chuva, o fenômeno também influencia as temperaturas em diferentes partes do mundo. No Sul do Brasil, o fenômeno favorece maior ingresso de massas de ar frio, não raro tardias no primeiro ano do evento e precoces no outono no segundo ano do episódio. Por outro lado, com estiagens, aumenta a probabilidade de ondas de calor e marcas extremas de temperatura alta nos meses de verão no Sul.

Em escala global, quando o fenômeno está presente há uma tendência de diminuição da temperatura planetária, o que nos tempos atuais significa menos aquecimento da Terra. O aquecimento do planeta, entretanto, foi tamanho recentemente que a temperatura média do planeta hoje em um evento de La Niña forte tende a ser mais alta que em um evento de forte El Niño décadas atrás.

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Sobre o Autor

Estael Sias

Estael Sias

Meteorologista

Estael Sias, MSc., é autora de MetSul.com e meteorologista formada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Mestre em Meteorologia pela Universidade de São Paulo (USP). Sócia-diretora da MetSul Meteorologia com passagem pelo Grupo RBS, Canal Rural e Defesa Civil de São Paulo.