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Clima Geral

Meteorologista Estael Sias: não há como ver La Niña hoje no Pacífico

Meteorologista da MetSul comenta a atual situção do Pacífico e destaca que não há como enxergar condições presentes de La Niña

28/02/2025 às 08:04 leitura em 3 min
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Os últimos boletins semanal e mensal de atualização do estado do Pacífico pela agência nacional de clima dos Estados Unidos (NOAA) mantiveram o indicativo de que episódio de La Niña segue atuando na faixa equatorial do maior oceano do planeta.

Mapa de anomalia de temperatura da superfície do mar do Pacífico Equatorial Centro-Leste mostra que hoje mais águas com temperatura acima da média do que abaixo | NASA

A análise da MetSul Meteorologia, entretanto, vai no sentido contrário da informada pelo órgão oficial de Meteorologia norte-americano. Hoje, não conseguimos enxergar como se possa afirmar que condições de La Niña estão presentes no Pacífico Equatorial.

Aliás, o nosso sentimento é que mais cedo do que tarde a NOAA deve alterar o seu status do Oceano Pacífico de La Niña para neutralidade, considerando os dados de anomalia de temperatura da superfície do mar e as condições de vento e chuva na região.

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De acordo com o último boletim semanal da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Central-Leste (região Niño 3.4), era de -0,3ºC.

O valor informado pela NOAA está na faixa de neutralidade (-0,5ºC a +0,5ºC). Esta é a segunda semana seguida que o boletim da agência norte-americana reporta anomalia da temperatura da superfície do mar em patamar de neutralidade.

Com base nos dados diários por satélites, estamos convictos que o boletim que vai ser divulgado na segunda-feira de Carnaval trará dados mostrando pela terceira semana consecutiva o Pacífico Centro-Leste com anomalias em patamar de neutralidade.

O episódio do fenômeno La Niña teve início oficialmente em dezembro, e favoreceu a estiagem que deixa mais de um terço dos quase 500 municípios do Rio Grande do Sul em emergência pelas perdas na agricultura.

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Em meados de fevereiro, contudo, as águas do Oceano Pacífico Equatorial começaram a apresentar aquecimento, o que fez com que as anomalias de temperatura da superfície do mar passassem a ter valores em patamar de neutralidade.

Além disso, na chamada região Niño 1+2, que mede a temperatura do mar na costa do Peru e do Equador, mas não é usada para designar se há Niña ou Niño, houve acentuado aquecimento.

Com o aquecimento das águas do Pacífico em suas costas, o Peru e o Equador têm enfrentado episódios de chuva muito intensa. Isso suscitou um debate sobre o risco de um evento de El Niño Costeiro, que é diferente do El Niño clássico ou canônico, que tem impactos maiores e mais amplos no clima do Brasil e do mundo.

Em síntese, desde antes de ser declarado o episódio de La Niña já se sabia que seria por demais curto e fraco, e hoje não se pode afirmar, em nossa opinião, com base em dados do oceano e da atmosfera, que as condições sejam de La Niña.

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