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Clima Geral

La Niña acende alerta no setor rural da Argentina após anos de secas

Anúncio da volta da La Niña pela NOAA traz preocupação na agricultura argentina após vários anos com secas severas

15/10/2025 às 05:23 leitura em 3 min
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A Argentina volta a acender o sinal de alerta no campo com o retorno do fenômeno La Niña anunciado pela NOAA, a agência de clima do governo dos Estados Unidos, embora se preveja um episódio muito fraco e de curta duração entre este fim de 2025 e o início de 2026.

A La Niña é caracterizada pelo resfriamento das águas do Pacífico Equatorial central e oriental. Essa alteração afeta os ventos e a circulação atmosférica, desviando a umidade e reduzindo as chuvas sobre o Cone Sul da América do Sul. Na Argentina, o fenômeno costuma estar associado a estiagens, altas temperaturas e perdas agrícolas significativas.

Nos últimos anos, a repetição do evento trouxe impactos profundos. Entre 2020 e 2023, três safras consecutivas foram afetadas por secas históricas, com quebras expressivas de soja e milho. A economia sofreu com a redução das exportações, e o campo ainda se recupera das perdas.

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Apesar disso, os especialistas mantêm o otimismo. O consultor climático da BCR, Alfredo Elorriaga, destacou que o solo ainda apresenta bom teor de umidade após as chuvas da primavera. Segundo ele, as precipitações convectivas típicas desta época do ano seguem ativas e podem sustentar a recarga hídrica em boa parte das áreas agrícolas.

Outro fator importante é o comportamento do oceano Atlântico. A BCR sublinhou que o Atlântico Sul se tornou o principal modulador do clima argentino e segue aquecido. Esse calor extra favorece a formação de nuvens e pode neutralizar parte dos efeitos de uma La Niña fraca, como já ocorreu em fevereiro deste ano, quando as chuvas se mantiveram regulares apesar do Pacífico frio.

Mesmo assim, a situação exige atenção. No centro-oeste e no nordeste da província de Buenos Aires, o excesso de umidade nos solos atrasou a semeadura do milho. Agora, com a possibilidade de semanas mais secas, os produtores temem que o ciclo climático vire bruscamente, prejudicando a germinação e o desenvolvimento das lavouras.

A safra 2025/2026 é crucial para o país. O governo de Javier Milei depende da entrada de divisas do setor agroexportador, que representa cerca de US$ 30 bilhões por ano. Uma nova quebra de safra poderia agravar o desequilíbrio fiscal e dificultar o ajuste econômico em curso.

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IRI

Os mapas acima mostram a projeção multi-modelo da Universidade de Columbia de probabilidade de anomalia de precipitação para os trimestres de novembro a janeiro e de dezembro a fevereiro, compreendendo grande parte da safra de verão 2025-2026.

Como se observa nos mapas, a tendência é de irregularidade maior da chuva com valores abaixo da média principalmente neste fim de ano e no começo de 2026, sobretudo no Centro argentino.

A MetSul acredita que no decorrer do verão, com o provável fim das condições de La Niña, a chuva aumente na Argentina. Além disso, a chuva muito acima da média do inverno deste ano nas áreas agrícolas do país deixou maiores reservas hídricas, o que sugere um risco baixo de repetição das grandes secas de 2020 a 2023.

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