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Geral

Inglaterra enfrenta “falso outono” por seca extrema e calor recorde

Verão sob seca extrema e recordes de temperatura confundiu a natureza que antecipou as cores do outono em cidades inglesas

25/08/2022 às 06:00 leitura em 3 min
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Pessoas se sentam em espreguiçadeiras entre folhas marrons caídas das árvores no St James’ Park, em Londres, na tarde de ontem. Em vez de verde, muitos jardins, parques e bosques são agora um mar de laranja, amarelo, vermelho e marrom, com grossos tapetes de folhas no chão com uma atípica antecipação do cenário de outono. | SUSANNAH IRELAND/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Um verão escaldante e seco no Reino Unido não apenas secou a terra, rios, lagos e reservatórios, mas também fez com que as árvores perdessem suas folhas prematuramente, criando um “falso outono”. Em vez da vegetação de cartão postal de jardins, parques e bosques associada ao Reino Unido, a paisagem agora é um mar de cores laranja, amarelo, vermelho e marrom deixando um manto de folhas no chão.

A queda prematura de folhas – conhecida como “falso outono” – é um sinal de estresse para as árvores, que respondem perdendo sua folhagem para conservar a umidade. Mas os especialistas dizem que, embora as árvores com raízes profundas possam suportar condições mais secas, as árvores mais novas e menos enraizadas podem estar em risco.

“As árvores usam os hormônios que utilizam no outono para se retrair e garantir sua sobrevivência”, explica Rosie Walker, da associação Woodland Trust. “Elas vão continuar fazendo isso por alguns anos, mas isso vai começar a impactar nossas árvores, se não formos mais cuidadosos”, disse à rádio BBC.

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Julho viu as temperaturas subirem acima de 40°C pela primeira vez na história do Reino Unido e foi o mês mais seco já registrado até hoje em muitas partes do Sul e Leste da Inglaterra. A onda de calor, atribuída às mudanças climáticas e vários meses de chuvas excepcionalmente baixas, levou as autoridades a proibir o uso de mangueiras de irrigação para economizar água em algumas regiões.

O fenômeno significa que muitas frutas amadurecem antes do tempo, como as amoras silvestres, que geralmente são consumidas no outono e agora estavam prontas no final de junho, segundo o Woodland Trust. Outras bagas e nozes também amadureceram prematuramente, representando um risco de esgotamento precoce e deixando alguns animais com comida insuficiente no outono.

Steve Hussey, representante da organização Devon Wildlife Trust no Sudoeste da Inglaterra, explica que “para a vida selvagem, o tempo da natureza é tudo”. “A crise climática está trazendo padrões sazonais aos quais nossa vida selvagem não está adaptada”, comentou ele. Para Hussey, o longo verão “e o falso outono vão repercutir em inúmeras espécies até os meses de outono e também depois”, disse.

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Sobre o Autor

AFP

AFP

Agência France-Presse (AFP) é a maior agência de notícias do mundo com jornalistas e fotógrafos em todos os continentes. Presente em 151 países, a mais antiga agência de notícias mundial participa da iniciativa Covering Climate Now que reúne 250 veículos de comunicação do mundo inteiro com o objetivo de fortalecer a cobertura sobre o clima.