Com base em análise estatística de dados históricos e projeções climáticas de modelos, um novo estudo revela que não apenas as ondas de calor estão se tornando mais frequentes em um mundo em aquecimento, como suas durações também aumentam.

A pesquisa demonstra que cada grau de aquecimento regional adiciona mais dias consecutivos de calor intenso do que o grau anterior. A curva que descreve esse aumento de duração se intensifica com o avanço do aquecimento, levando a ondas de calor significativamente mais prolongadas conforme o clima esquenta ainda mais.
Quando essa curva é normalizada pela variabilidade local de temperatura, observa-se uma relação quase universal entre regiões, permitindo que projeções futuras sejam comparadas com mudanças já observadas no presente. Isso fortalece a confiança de que a tendência de “ondas de calor cada vez mais longas” continuará nos próximos anos.
E não é só: os picos de duração — ou seja, as ondas mais extremas e raras — apresentam o aumento percentual mais acentuado em probabilidade.
Isso cria um duplo fator de risco: além de dias mais quentes, os eventos excepcionais tornam-se muito mais prováveis, com impactos agravados para a saúde, agricultura, infraestrutura e ecossistemas.
O estudo é um alerta: a adaptação não pode focar apenas em dias quentes isolados, mas precisa considerar a tendência de calor persistente, que agrava estresse hídrico, mortalidade e esforço logístico em diversas regiões.
Nas últimas semanas, uma intensa onda de calor assolou a Europa, evidenciando os mecanismos em estudo. O fenômeno começou no final de junho, com uma massa de ar quente trazida do Norte da África, formando um robusto “domo de calor” sobre a região.
Em Portugal, o município de Mora registou impressionantes 46,6°C no final de junho — temperatura mais alta já registrada no país para o mês
Na Espanha, a província de Huelva alcançou os 46°C, enquanto Barcelona teve seu junho mais quente em mais de um século. Na França, escolas foram fechadas e visitas a Torre Eiffel foram suspensas entre 1º e 2 de julho .
Na Itália, 17 das 27 grandes cidades ficaram em alerta vermelho; houve mortes e proibição de trabalho ao ar livre. Na Grécia, o mês de junho tornou-se o segundo mais quente desde o começo dos registros, resultando em incêndios florestais e interdições de trabalho externo.
Em resposta, autoridades adotaram medidas emergenciais: restrições de trabalho ao ar livre, suspensão de aulas, fornecimento de água gratuita em estações de trem e adaptação de transportes públicos. Em vários países, hospitais e abrigos climatizados foram mobilizados para proteger pessoas vulneráveis.
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