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Argentina Geral

Enchente na Argentina submerge cidades com milhares de desabrigados

Grave enchente no Noroeste da província argentina de Buenos Aires cobre cidades de água com milhares fora de suas casas

18/05/2025 às 10:56 leitura em 7 min
Estael Sias
Estael Sias Meteorologista
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As chuvas intensas com enchente que atingem a região Norte da província de Buenos Aires desde sexta-feira causaram inundações históricas e forçaram a retirada de milhares de moradores de suas em diversas localidades afetadas da província mais populosa da Argentina. O episódio é um dos mais graves eventos de chuva excepcional na história recente da Argentina com acumulados acima de 400 mm em algumas cidades.

Foto aérea mostra a cidade de Zárate inundada pela enchente na Argentina
Foto aérea mostra a cidade de Zárate inundada | LUIS ROBAYO/AFP/METSUL 

Zárate, Campana, Salto e Rojas estão entre os municípios mais atingidos pelo temporal. Segundo autoridades locais, já são mais de 7 mil pessoas fora de casa, sendo parte acolhida em abrigos emergenciais.

O governo da província de Buenos Aires confirmou que 3166 pessoas estão em centros de evacuação e outras 4460 foram resgatadas por equipes de emergência ou saíram voluntariamente para áreas seguras.

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Há ainda três desaparecidos no município de Rojas. Segundo relatos, trata-se de três pessoas que tentaram atravessar um arroio e foram levados pela correnteza. Buscas continuam durante este domingo.

O caso de um homem de 71 anos que viajava de carro entre San Antonio de Areco e Baradero também preocupa. Ele está desaparecido, mas ainda não há denúncia oficial registrada.

Campana foi identificada como a cidade com maior número de pessoas fora de casa: cerca de 1600. Diversos bairros estão completamente submersos, com água entrando nas residências de forma acelerada.

Em Campana, a empresa Tenaris disponibilizou o Hotel Siderca para acolher 90 desalojados. O CEO da companhia, Paolo Rocca, esteve no local acompanhando os esforços de assistência às famílias atingidas.

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Zárate apresenta situação levemente mais estável. De acordo com a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, algumas famílias já retornaram para casa, embora a região continue em estado de alerta.

Mais de 410 milímetros de chuva caíram em algumas cidades. Em Salto, o rio que leva o nome da cidade atingiu um recorde de 10,30 metros, conforme informou o prefeito Ricardo Alessandro.

Em Buenos Aires, a chuva também provocou alagamentos. A cidade registrou 190 milímetros em 30 horas, o dobro da média de maio, que normalmente é de 93,5 milímetros ao longo do mês.

Bairros como Liniers, Mataderos, Villa Devoto, Santa Rita, Balvanera e Retiro foram os mais afetados. Ainda assim, o prefeito Jorge Macri afirmou que o sistema de drenagem respondeu de forma eficiente.

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A capital federal enviou ajuda a municípios como Campana e Zárate, que solicitaram apoio diante da gravidade da situação. Equipes trabalham com resgate, abrigamento e distribuição de mantimentos.

Entre as estradas interrompidas estão as rodovias 6, 8, 9 e 12. O acesso a Zárate pela Rota 6 segue bloqueado, assim como a travessia do ponte Zárate-Brazo Largo, fechada pela Gendarmería Nacional.

Imagem aérea mostra rodovia inundada em Campana pela enchente na Argentina
Imagem aérea mostra rodovia inundada em Campana | LUIS ROBAYO/AFP/METSUL
Foto mostra ônibus isolado pela inundação da enchente na Argentina
Veículos ficaram presos na inundação | LUIS ROBAYO/AFP/METSUL

Foram mobilizadas forças de segurança, equipes de resgate, botes, helicópteros, caminhões e balsas para enfrentar os efeitos do evento extremo de chuva. A base de operações está instalada em La Matanza.

O ministro de Defesa, Luis Petri, e a ministra Bullrich visitaram as áreas atingidas. Petri afirmou que o presidente Javier Milei acompanha os desdobramentos e autorizou o uso de todos os recursos necessários das Forças Armadas e de segurança para proteger a população e apoiar a logística nas regiões mais afetadas pelas inundações.

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“A situação é crítica. O presidente nos deu carta branca para agir com rapidez e intensidade. A prioridade é salvar vidas e restaurar a conectividade das comunidades isoladas”, afirmou Petri.

Além dos municípios diretamente impactados, há preocupação com o transbordamento de rios que seguem subindo, como o Paraná e o Arrecifes, o que pode levar a novos alagamentos nas próximas horas.

O governo da província declarou estado de emergência hídrica em várias localidades. A medida permite acelerar repasses, aquisição de insumos e mobilização de estruturas temporárias de apoio.

Organizações da sociedade civil e voluntários têm atuado com força na ajuda humanitária, arrecadando alimentos, roupas, colchões, água potável e materiais de limpeza para os desabrigados.

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A Cruz Vermelha Argentina instalou postos de atendimento nas áreas mais vulneráveis e reforçou o chamado por doações. A prioridade são kits de higiene, fraldas, leite em pó e medicamentos básicos.

Foto aérea mostra diversas áreas isoladas
Diversas áreas estão isoladas pela enchente na Argentina | LUIS ROBAYO/AFP/METSUL
Foto de homem sobre o telhado pela enchente na Argentina
Pessoas buscaram refúgio em telhados em Campana pela enchente na Argentina | LUIS ROBAYO/AFP/METSUL
Foto mostra homem caminhando em área inundada na enchente da Argentina
Milhares de pessoas estão fora de suas casas pela grave enchente na província de Buenos Aires | CATRIEL GALLUCCI BORDONI/NURPHOTO/AFP/METSUL

Especialistas alertam que o solo encharcado e a persistência das chuvas elevam o risco de deslizamentos, especialmente em zonas periféricas ou com encostas fragilizadas por construções precárias.

As aulas foram suspensas em dezenas de municípios, e autoridades pedem que a população evite deslocamentos desnecessários. O tráfego urbano e intermunicipal segue prejudicado por bloqueios e lama.

Em paralelo ao drama humano, há prejuízos econômicos expressivos. A região é um polo agroindustrial, e plantações de milho e soja foram severamente afetadas, com perdas ainda sendo contabilizadas.

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Cidades como Salto e Rojas têm setores industriais e comerciais inteiramente paralisados. Pequenas e médias empresas relatam danos irreversíveis em galpões, estoques e equipamentos.

“É devastador. A água levou tudo. Só restou o barro”, relatou Laura Pérez, comerciante de Salto, enquanto mostrava os estragos em sua loja de móveis, agora completamente alagada e inutilizada.

O governador Axel Kicillof sobrevoou as áreas inundadas e prometeu ampliar os recursos emergenciais. Ele também criticou a ausência de políticas nacionais de prevenção a desastres.

“O impacto climático exige planejamento e investimentos contínuos. Estamos enfrentando o que deveria ser exceção como se fosse regra. Isso precisa mudar”, afirmou o governador em entrevista.

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Foto de animais sendo resgatados nas áreas atingidas pela enchente na Argentina
Animais são resgatados nas áreas atingidas pela enchente na Argentina | LUIS ROBAYO/AFP/METSUL

O drama nas cidades afetadas gera uma onda de solidariedade em todo o país. Campanhas de arrecadação se multiplicam nas redes sociais, com pontos de coleta organizados em diversos bairros da capital.

O Ministério do Interior argentino informou que um plano de assistência coordenado será implementado nos próximos dias, com foco em recuperação estrutural, reconstrução de moradias e apoio às famílias.

Enquanto isso, nas ruas alagadas de Zárate, Campana e Rojas, a população segue enfrentando a incerteza com resiliência, solidariedade e esperança de que a água finalmente comece a baixar.

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Sobre o Autor

Estael Sias

Estael Sias

Meteorologista

Estael Sias, MSc., é autora de MetSul.com e meteorologista formada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Mestre em Meteorologia pela Universidade de São Paulo (USP). Sócia-diretora da MetSul Meteorologia com passagem pelo Grupo RBS, Canal Rural e Defesa Civil de São Paulo.