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Geral Uruguai

Colapso com dilúvio “sem precedentes” em Montevidéu

Montevidéu colapsou na manhã desta segunda-feira com episódio de chuva extrema que transformou as ruas da cidade em rios no que a prefeitura local descreveu como uma situação sem precedentes

17/01/2022 às 11:50 leitura em 4 min
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Montevidéu enfrentou graves inundações na manhã desta segunda-feira com chuva que a prefeitura da capital uruguaia tratou como “tema sem precedentes” | Redes sociais/Reprodução

Volume extraordinário de chuva inundou a cidade de Montevidéu na manhã desta segunda-feira. Os acumulados foram excepcionalmente altos em curto período, impedindo totalmente que o sistema de macrodrenagem urbana da capital uruguaia fosse capaz de absorver tamanha quantidade de água. A cidade colapsou com ruas e avenidas que se transformaram em rios e verdadeiras lagoas. Pontos do departamento vizinho de Canelones, onde se situam vários balneários muito buscados na temporada de verão, também sofrem com inundações.

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Imagens de redes sociais mostram que a água em alguns pontos passou de um metro e meio de altura. Moradores tiveram que deixar suas casas com ajuda de bombeiros e vizinhos que fizeram uso de cordas nos resgates. As inundações atingiram a área central da cidade e também bairros mais periféricos.

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Com a violência da chuva, as ruas se transformaram em rios e carros apareciam em vídeos sendo arrastados pela enxurrada. Em algumas filmagens de áreas alagadas, veículos eram vistos boiando nas águas em alguns bairros de Montevidéu.

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O bairro de Malvin foi um dos mais castigados pelas inundações com várias ruas e avenidas interrompidas pelos alagamentos. Concepción del Uruguay, Punta Gorda e Punta de Rieles/Bella Italia têm cerca de 1.500 usuários sem eletricidade, respectivamente. Outras áreas afetadas são Ituzaingó, Carrasco e Buceo.

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“Devido às chuvas intensas que foram registradas nas últimas horas, foram detectadas inundações em diferentes áreas da cidade”, informou o Município de Montevidéu (IMM) nas redes sociais. As equipes da Prefeitura (Intendencia Municipal) estão a trabalhar desde a madrugada, assim como “todos os seus recursos foram disponibilizados para lidar com uma situação sem precedentes”, afirmou a Prefeitura de Montevidéu.

Os volumes de chuva foram extraordinários por uma perspectiva histórica. Os acumulados até 9h desta segunda-feira nas estações do Instituto Uruguaio de Meteorologia foram de 142,0 mm em Carrasco e 106,3 mm no Prado. Para se ter ideia, a média mensal de chuva do mês de janeiro em Carrasco (série 1961-1990) é de 92 mm, ou seja, choveu em curto período 154% da média histórica ou um mês e meio em horas. Outras estações, estas particulares, indicavam até o meio da manhã 78 mm na Ciudad Vieja e 111 mm perto do Palácio Legislativo, também na área central da cidade.

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A chuva em Montevidéu foi consequência do avanço de uma frente fria que encontrou ar muito aquecido de uma massa de ar excepcionalmente quente que foi responsável pela onda de calor no Uruguai e que ainda atua no Nordeste da Argentina, Paraguai e Sul do Brasil.

Observe no mapa de anomalia de temperatura em 850 hPa como a área do Rio da Prata estava exatamente na transição entre o ar mais frio do Sul e quente ao Norte quando se produziu a chuva extrema na capital uruguaia. Os dados apontavam ainda abundante água precipitável no Sul do Uruguai, ou seja, se combinou o encontro de ar mais quente e frio sob uma atmosfera extremamente úmida,  o que explica o dilúvio na área de Montevidéu e Canelones.

Há vários dias modelos indicavam o risco de chuva forte a intensa para a capital uruguaia neste começo de semana, entretanto evento localizado de tamanha intensidade dificilmente é antecipado por simulações computadorizadas. A Meteorologia do Uruguai (Inumet) vinha advertindo para chuva forte e tormentas no país neste segunda-feira, mas os volumes de chuva em Montevidéu superam qualquer projeção por ser um episódio muito fora do normal e distante da climatologia histórica local.

Montevidéu, diferentemente de cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis, não possui grandes elevações no terreno que gerem chuva extrema de natureza orográfica (associada ao relevo), que costuma gerar acumulados extremos, portanto é por demais incomum que se registrem volumes tão extraordinariamente altos em curto período como nesta segunda-feira.

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