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Argentina Geral

Caos em Buenos Aires com grande apagão em dia de sensação de 44ºC

Cidade de Buenos Aires mergulhou no caos hoje com enorme apagão em dia de calor extremo na capital argentina

05/03/2025 às 20:09 leitura em 5 min
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Um apagão massivo atingiu Buenos Aires e região metropolitana (AMBA) nesta quarta, deixando cerca de 2 milhões de pessoas sem eletricidade em um dos dias mais quentes do verão. A falha ocorreu em dois momentos distintos e as autoridades ainda não haviam identificado a causa exata do problema.

JUAN MABROMATA/AFP/METSUL

A distribuidora de energia Edesur, principal afetada, afirmou que as condições climáticas e o nível de demanda não justificavam o colapso do sistema, levantando suspeitas sobre a possibilidade de sabotagem.

O incidente começou às 5h23 da manhã, quando duas linhas de transmissão paralelas de 220 kV, que transportavam energia da cidade para o restante da AMBA, se desligaram inesperadamente. Isso provocou a interrupção de fornecimento para uma parte significativa da população.

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Apesar de a demanda estar apenas 3% acima do previsto, o sistema não deveria ter entrado em colapso. Ainda assim, a vulnerabilidade persistiu ao longo do dia e, às 12h40, outras duas linhas do mesmo corredor de transmissão também saíram de operação, agravando ainda mais a situação.

De acordo com dados do Serviço Meteorológico Nacional (SMN) da Argentina, às 9h da manhã a temperatura na cidade de Buenos Aires era de 29ºC com sensação de 34ºC. Às 16h, a temperatura era de 35ºC com sensação de 44ºC.

Com sensação térmica extrema, a falta de energia gerou caos na cidade. Milhares de semáforos apagaram, complicando o trânsito, e pelo menos 51 pessoas ficaram presas em elevadores e precisaram de assistência. O apagão afetou hospitais, com relatos de dificuldades para manter equipamentos funcionando.

Em um momento crítico do dia, cerca de 1150 MW de consumo foram perdidos, o equivalente a mais de 12% da demanda elétrica do horário na Grande Buenos Aires. A distribuidora Edesur afirmou que, em uma inspeção realizada pela manhã, foram encontrados alguns cabos caídos no chão, mas que não pertenciam à empresa.

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Segundo a concessionária, as linhas estavam operando normalmente antes da falha e não houve registros de ventos fortes, seca extrema ou outros fatores climáticos que pudessem justificar a interrupção.

A Secretaria de Energia da Argentina informou que as linhas afetadas conectam as subestações Costanera e Hudson e que o evento da manhã envolveu outras duas conexões entre Bosques e Hudson.

Todas essas infraestruturas pertencem à Edesur, motivo pelo qual a região sul da Grande Buenos Aires foi a mais atingida. Em contrapartida, a Edenor, outra distribuidora de energia, teve poucos problemas e seus clientes praticamente não foram afetados.

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Com a população indignada, o governo já iniciou uma investigação para determinar a origem do apagão e avaliar possíveis sanções contra a empresa. O Ente Nacional Regulador da Eletricidade (ENRE) está apurando as circunstâncias e pode aplicar multas.

O próprio site do órgão ficou fora do ar por algum tempo devido à sobrecarga de acessos da população em busca de informações. Ao longo do dia, a normalização do sistema ocorreu gradualmente. Por volta das 18h, ainda havia cerca de 37.700 usuários sem eletricidade, o que representava aproximadamente 120 mil pessoas afetadas.

JUAN MABROMATA/AFP/METSUL
JUAN MABROMATA/AFP/METSUL

No início do dia, a perda total de geração chegou a 2200 MW, mas o restante do Sistema Argentino de Interconexão (SADI) não sofreu danos significativos, garantindo que o problema não se alastrasse para outras regiões do país.

O apagão ocorreu no mesmo dia em que o governo argentino anunciou novos aumentos nas tarifas de eletricidade e gás. O reajuste será de 1,5% a 1,7% para os consumidores de luz no AMBA e para os de gás em todo o país, entrando em vigor a partir deste mês. O aumento faz parte de um plano de revisão tarifária que busca criar um mecanismo automático de reajuste baseado na inflação.

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JUAN MABROMATA/AFP/METSUL
JUAN MABROMATA/AFP/METSUL

A ideia é garantir previsibilidade para as empresas do setor e permitir investimentos para melhoria dos serviços. No entanto, a coincidência entre o apagão e o aumento de tarifas gerou ainda mais insatisfação entre os consumidores, que se questionam sobre a qualidade do serviço oferecido.

Com o histórico de crises energéticas na Argentina e as dificuldades econômicas que o país enfrenta, a situação promete se tornar um tema sensível para o governo de Javier Milei.

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