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Geral Rio Grande do Sul

Pó amarelo após a chuva intriga moradores da fronteira gaúcha

Moradores foram surpreendidos nesta quinta-feira em Livramento por um pó amarelo sobre carros, ruas e vegetação

04/09/2025 às 18:01 leitura em 3 min
Estael Sias
Estael Sias Meteorologista
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Um pó amarelo apareceu nesta quinta-feira sobre as latarias de automóveis, vegetação, piscinas e outras superfícies em Livramento, na fronteira com o Uruguai, intrigando os moradores da região sobre o que seria aquela precipitação colorida após a chuva.

Foto mostra pó amarelo (pólen) em Livramento
Pó amarelo sobre automóvel em Livramento | ANDERSON ALVES

Precipitação amarelada pode ocorrer por várias causas, de poeira de regiões desérticas até emissões químicas de plantas industriais, mas a explicação mais simples é a mais provável e tem origem natural.

A poeira amarela vista nesta quinta-feira em Livramento muito provavelmente se trata de pólen trazido pelo vento do quadrante Sul com o ingresso da massa de ar frio a partir de árvores pinus do lado uruguaio.

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Na primavera, é comum observar superfícies cobertas por um fino pó amarelo, que muitas vezes intriga quem não está familiarizado com o fenômeno. Esse pó nada mais é do que o pólen liberado por árvores como o pinus e, em menor medida, o eucalipto, durante o período reprodutivo.

As coníferas do gênero Pinus produzem grandes quantidades de pólen seco e leve, adaptado para a polinização pelo vento — um processo chamado anemofilia. Como as árvores liberam milhões de grãos microscópicos ao mesmo tempo, o ar fica carregado de pólen, que pode viajar muitos quilômetros antes de se depositar em carros, calçadas, vidros de janelas, roupas e até na água de poças e piscinas, formando uma fina película amarelada.

Embora o eucalipto também libere pólen, ele não é produzido em volume tão expressivo nem tão visível quanto o do pinus. O destaque do pólen amarelado observado em grandes quantidades costuma ser, quase sempre, das coníferas.

Esse espetáculo natural, apesar de inofensivo para a maioria das pessoas, pode causar desconforto em indivíduos com rinite alérgica ou outras sensibilidades respiratórias. O vento forte da primavera potencializa o efeito, espalhando o pólen rapidamente pelas cidades e áreas rurais.

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Em termos ambientais, o fenômeno é um sinal claro da fase reprodutiva dessas árvores. É justamente essa abundância de pólen que garante a fecundação e a perpetuação das espécies, mostrando como um processo natural pode ter efeitos tão visíveis no cotidiano humano.

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Sobre o Autor

Estael Sias

Estael Sias

Meteorologista

Estael Sias, MSc., é autora de MetSul.com e meteorologista formada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). Mestre em Meteorologia pela Universidade de São Paulo (USP). Sócia-diretora da MetSul Meteorologia com passagem pelo Grupo RBS, Canal Rural e Defesa Civil de São Paulo.